segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Mini foto-reportagem do Jantar Comemorativo do GPA

Caros amigos,
conforme prometido, aqui segue a mini foto-reportagem do Jantar Comemorativo do 1º Aniversário do blogue do GPA. Divirtam-se!

Presidente Orlando Figueiredo e Manuel Janicas


Orlando, Manuel, Rita, Madalena e José



Rita Capucho, Isabel Rosete, António Luís e Naia Sardo












 

Naia Sardo e António Luís


Rita Capucho e Isabel Rosete




Isabel Rosete e Ana Paula Mabrouk declamando



Manuel Janicas declamando

Ana Paula Mabrouk

Rita, Ana Paula e Madalena Oliveira

Jantar Comemorativo do GPA

Caros leitores e amigos,

no último sábado, dia 6, teve lugar no Restaurante O Buraco, em Aveiro, o jantar comemorativo do1º aniversário do blogue do Grupo Poético de Aveiro (GPA), do qual eu faço parte. O Endereço é: http://poesiaaveiro.blogspot.com/.
Nesse blogue são lançados trabalhos poéticos dos vários elementos, sujeitos a um tema semanal - desafio lançado pela Rita Capucho, dinamizadora deste blogue, após consulta/sugestão de todos os elementos. Para além disso, muita fica de fora, na troca quase frenética no Google Groups entre todos os participantes: poemas próprios, textos poéticos de outros autores, divulgação de eventos, sugestões de leitura, apontadores para sites de interesse, ...
Uns elementos são muito mais profícuos do que outros (eu sou das menos), consoante a disponibilidade mental, temperamento e tempo de cada um. No entanto, o que verdadeiramente interessa é a troca de experiências e a estimulação constante da alma poética de todos.

Quanto ao jantar, com direito a declamação de poemas, correu optimamente: bom ambiente, comida, disposição e poesia. Foi apenas pena o ruído de fundo das outras mesas... O espaço era público e não havia direito a exclusividade do seu uso. Contudo, conseguimos contar com a "orelha" espetada de alguns comensais das mesas alheias... E assim se espalha a palavra!

P.S.: No próximo post publicarei a mini-foto-reportagem.

Até breve!

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Explicação breve

Caros leitores e amigos,

ultimamente procedi a algumas alterações no blogue: primeiro em termos da língua no perfil, depois na formatação do blogue.

Explicações: 1ª estou a fazer uma acção de formação profissional que me obrigou à criação de um outro blogue no âmbito da língua inglesa (English4U);
                     2ª ao criar o segundo blogue e, dado que tinha o mesmo endereço, o meu perfil neste blogue foi alterado automaticamente;
                     3ª irei alterar brevemente o perfil para português, embora não mantenha exactamente as mesmas palavras, dado que colegas e alunos irão ter acesso a esse mesmo perfil;
                    4ª A formatação é para ficar, pois a anterior estava muito "desmaiada".

Espero que gostem da nova cara do blogue e perdoem-me estas mudanças de última hora, mas um blogue está sempre em constante evolução.

Saudações afectuosas,
A escritora Ana Paula Mabrouk

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Foto poema



Do profundo da minha alma gelada

Abro a janela para o mundo

E vejo claro, sem flocos de neve

Céu azul, horizonte profundo.



Foto e poema de Ana Paula Mabrouk

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Ofélia

Este é mais um conto do meu livro Alfabeto no Feminino e foi o primeiro a ser escrito no longíquo ano de 1985 para ser publicado vinte mais tarde. É o exemplo de que nunca se deve dizer nunca


OFÉLIA

AO FERNANDO

«Todas as cartas de amor são ridículas.»

E como são ridículas !....

Ridículas porque nos mostram Íbis frágil

do distante Egipto que chora perto.



De repente surge a Pessoa

O Nininho carente, sozinho e sem máscaras.

Onde as puseste?

Ah! Fechaste-as à chave no armário da intelectualidade.

Pouca sorte. O maroto do Álvaro de Campos fugiu pelo buraco da fechadura.

Devias ter-lhe dado umas palmadas.

Sim, porque isso não se faz!



Onde vais? À Boca do Inferno ?

Mas ela continua impossivelmente na mesma: direita.

Não vás para o manicómio! Não quero que vás!

Olha a Ofélia. Anda vá, dá-lhe um chocolate.

Tu sabes que ela gosta.



Passeia, engraxa os sapatos e faz comentários ao teu talassismo.

Que falte a luz e beijos apaixonados, muitos

Rompam do teu chapéu preto como passos de mágica

Transformando a intelectualidade num coelho

que se esqueceu no fundo da cartola.



Por que rejeitas o amor que não quiseste ?

Esqueceste aquele vão de escada ?

Já não vês a janela do sonho ?

E a Mensagem vazia, por que lha enviaste?

Por que queres ser sozinho?



Toda a vida a Ofélia esperou.

Tu ultrapassaste finalmente a barreira do real .

A sua espera já não tem sentido.

E dessa história ficou uma janela vazia

Já sem sonhos.

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Aos Amores Impossíveis....

DORA

Algures em Portugal, 24 de Agosto de 2000

Meu Amor ,
esta é a última carta que te escrevo sabendo que jamais lerás estas palavras. Como todas as outras acabará amarrotada no cesto dos papéis, junto com o resto da minha vida.
Chamo-te meu amor, aqui à distância, porque sei que não me podes ouvir. A tua ausência dá-me coragem para dizer as palavras que tantas vezes ansiaste que proferisse e o pudor (ou a falta de jeito) me impediu que o fizesse. É verdade: foste e serás sempre o meu amor. Mesmo que a expressão já não se use, que seja ridícula. Contudo, como diz o poeta, não há cartas de amor que não sejam ridículas.
Sem ter consciência disso amei-te, quando a minha intenção não era mais do que esquecer a solidão por algumas horas. Naquele quarto de estudantes de Paris, da Paris profunda (e não da Paris do "glamour"), fizeste-me feliz. É pena que só hoje me dê conta disso. Tão tarde! Tarde demais. ..
Amei-te. Amei cada ano a mais que tinhas em relação a mim. Amei a tua falta de cabelo e a tua barriga proeminente. Amei os olhos de míope por detrás das lentes fora de moda. Amei o teu ar desengonçado a andar. Amei a tua fobia às multidões.
Vivi aqueles momentos na ilusão de que eram apenas vertigem, águias velozes na imensidão desta minha vida tão pequena. Acreditei no plano que a mim própria tinha imposto: "laissez faire, laissez passé". A minha teoria economicista saiu toda furada.
Contigo vivi para lá do tempo, para lá dos olhos do mundo que não compreendia " o que é que eu podia ver num velho cinzentão de jornal debaixo do braço? Para mim sempre foste um jovem irreverente, cheio de vida pela vida. Um cavalo que não se abate. Através dos teus olhos eu via outro mundo mais vasto, para lá dos horizontes daquela janelinha minúscula que deixava ver uma nesga de céu azul. Através das tuas histórias vivi revoluções, assisti a banquetes, vivi a História por dentro da História. E como tu mudaste a minha história!...
Hoje, tanto tempo depois, recebi a notícia da tua morte. Não vou ao teu funeral. Não quero olhar um rosto que não é aquele que eu amei. Não quero restos, sombras do sol que iluminou meus dias numa altura em que me preparava para deixar de viver. Recuso-me a acreditar que partiste de vez. Não, não vou a Paris. Vou ficar aqui à beira-mar a ler poesia, a voar liberta, qual Fernão, fora do meu corpo, daquele corpo que deu e recebeu tanto prazer outrora. Vou ficar aqui a relembrar o teu sorriso gaiato, os teus cabelos em desalinho, o ar tímido com que depois puxavas os lençóis.
E eu sempre a dizer que não te amava, que sim senhora, gostava de estar contigo, mas amor ?! Essa ideia para mim era algo "démodé". Eu não queria mais ninguém por quem me apaixonar, por quem sofrer mais desilusões. Tinha medo, muito medo de que ao beijar-te um dia te transformasses em sapo e eu ficasse uma vez mais enterrada na torre de marfim do meu castelo desencantado. Por isso quando começaste a fazer juras de amor eterno, senti calafrios. Eu não queria pensar na ideia de ter alguém para sempre. Para sempre era muito tempo!...Eu, que sempre fui tão perecível... Assustei-me, fugi dali, fugi de ti a sete pés como o Diabo foge da cruz. O teu amor assustou-me, as tuas certezas apavoraram-me, a prisão de um futuro todo determinado aterrorizou-me. Tinha de sair dali enquanto era tempo. Não queria amarras, eu que sempre gostei de voar. Perdoa-me mas não consigo viver em gaiolas, mesmo que sejam douradas, mesmo que sejam em Paris.
Para mim não passavas de uma aventura inconsequente que de repente vi transformar-se em algo sério demais. Isso não estava nos planos, professor. Gostava de saber que no final do dia voltavas para a tua mulher, filhos e casa, e eu voltava a ter aquele espaço todo só para mim. Voltava a ser apenas eu: a andar descalça e sem maquilhagem. A roer uma maça numa janela do Sorbonne. Desconhecida, incógnita, anónima. EU .
Na minha vida não havia lugares para nós. Já me tinha habituado de conjugar os verbos somente no singular. Por isso vim: sem me despedir, sem me justificar, sem te agradecer a tua sabedoria e bondade, sem olhar para trás. Mas na mala também vieram as recordações. Clandestinas, não declaradas na alfândega.
Nunca te esqueci e ao fim destes anos todos percebi estranhamente, e tarde demais, que afinal te amei. Sem saber, amei-te como soube. Desinteressadamente, inconscientemente ...
Não acredito em amores felizes. Acredito apenas em almas que sempre se conheceram, que atravessam os portais do tempo e voam através da imensidão de uma noite estrelada.
Vou ficar aqui à beira-mar a olhar o firmamento à procura daquela gaivota que eu vou saber seres tu. Depois voarei até ti, só para te sussurrar antes de te ver desaparecer no horizonte: «Vai em paz, meu amor. Voa bem. »

Da sempre tua Dora
24-08-2000
Este é mais um conto do meu livro Alfabeto no Feminino, da Editora Mar da Palavra, publicado a 8 de Março de 2005, no Dia Internacional da Mulher

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Faltei à promessa

Não consegui publicar nada no dia 27, conforme prometido. Semana muito dura: falta de tempo e de imaginação para publicar.Vou recorrer aos textos do meu livro Alfabeto no Feminino que ainda não publiquei neste blogue. Boa leitura!

NOÉMIA BOAVENTURA


Olá minhas amigas! Hoje vou-lhes ensinar como é fácil livrar-se de um marido. Esta é uma receita com algum grau de dificuldade e que requer tempo e paciência. Primeiro os ingredientes:
§ 1 kg de carne de novilho para assar, de preferência louco
§ 100 gr de manteiga rançosa
§ 1/5 kg de sal grosso
§ 5 malaguetas
§ 3 grãos de pimenta preta
§ 1 cebola já com bolor
§ 3 dentes de alho chocho
§ 1 pitada de colorau
§ 1 ramo de cheiros
§ 1,5 dl de azeite retrasado
§ 2 dl de vinho branco avinagrado
§ 2 dl de água da torneira com bastante calcário .
§ 1 kg de maçãs rainetas
§ 1 gole de vinagre
§ 2 laranjas azedas e com pouco sumo
Faça uma pasta com a manteiga, o sal, as malaguetas, a pimenta, o colorau e os alhos. Barre a carne com esta mistura e deixe repousar de um dia para o outro.
No próprio dia leve a cebola a alourar em azeite numa caçarola. Quando a cebola estiver translúcida, introduza a carne, deixando-a alourar. Regue a pouco e pouco com o vinho branco e junte a água. Adicione o ramo de cheiros. Tape e deixe estufar durante 20 minutos em lume brando. Antes de desligar, avive o lume e deixe-a esturricar um pouco para adquirir o sabor a carne queimada.
À parte prepare o puré de maçãs rainetas. Descasque as maçãs, corte em quartos e retire-lhes as sementes. Lave-as e leve a cozer em água. Depois de cozidas, reduza-as a puré. Regue com vinagre e bata novamente com a batedeira. Para a sobremesa apresente as laranjas azedas e com pouco sumo ao natural.
Uma hora antes de ter o jantar pronto, telefone ao seu marido e diga-lhe que esta noite tem um jantar especial para ele. Deixe-o queixar-se de como o convite vem em cima da hora, logo hoje que ele está cheio de trabalho. Assim terá uma boa desculpa para a carne esturricada- A culpa será do atraso dele.
Ponha uma boa toalha de mesa, a tal da última festa cuja nódoa de gordura nunca mais conseguiu tirar. Verifique se a nódoa se encontra num lugar visível, de forma que ele não deixe de reparar nela. Ponha o serviço de jantar de porcelana, o faqueiro debruado a ouro de 15 quilates e os copos de cristal. O garfo dele deverá estar manchado e o copo deve ser aquele esbeiçado, com o qual ele já implicou tantas vezes. Um pequeno arranjo de flores às quais ele é alérgico fica sempre bem. Nos castiçais, as velas que lhe ofereceu o seu antigo namorado, aquele com quem a esta hora poderia estar casada. O tal que ganha rios de dinheiro e continua solteiro.
Vista um vestido ousado, com um grande decote que ele considera indecente. Calce os sapatos mais altos que tiver, de forma a que ele fique uns centímetros mais baixo do que você. Os homens odeiam ter de olhar para uma mulher de baixo para cima. Pinte-se muito: use sombras de cores fortes e baton vermelho escarlate. Borrife-se com água de colónia cujo aroma se detecta a quilómetros de distância.
Receba-o com um sorriso rasgado como se este jantar fosse inesquecível. Sem dúvida o será. Beije-o com vigor deixando-lhe marcas de baton por todo o lado. Até na camisa Vítor Emanuel que ele adora e não quer de modo algum que fique manchada.
Convide-o para um brinde à vossa vida conjugal e finja-se muito consternada quando ele disser que o vinho está quente. Ah, pois, com tanta coisa, esqueceu-se de o pôr no frigorífico. Sempre há o gelo...
Sorria sempre quando ele fizer reparos ao vestido, à toalha, ao garfo e ao copo. Quanto ao vestido era para lhe agradar, quanto ao resto, ele tem toda a razão, vai já imediatamente trocar tudo.
Sirva o jantar com todos os SSs e RRs e comece a mostrar-se magoada com os comentários dele à qualidade da comida: queimada, salgada, azeda,... lamente-se tristemente por todo o seu trabalho, por todas as horas que passou na cozinha, pelo tempo que gastou a copiar a receita do livro de culinária internacional. Faça-o sentir-se mal agradecido e culpado pela ignorância demonstrada. O puré de maçã é bem mais chique do que o de batata, toda a gente sabe isso! ! ! Por amor de Deus! Diga-lhe que para a próxima não vai matar-se a trabalhar por ele. Ele que coma sanduíches!...
Quando ele começar a espirrar vezes sem conta e a acusá-la de ter posto as flores às quais ele é alérgico, contra-ataque e responda-lhe que se ele lhe oferecesse flores de vez em quando, talvez você se lembrasse desse facto. Como tal não acontece, é muito fácil você esquecer-se da alergia dele. Nesta altura o nariz estará vermelho, os olhos lacrimejantes, a garganta a arder. Ele rogar-lhe-á para você apagar as malditas velas, cujo aroma e odor só estão a piorar as coisas. Você responde-lhe em voz áspera que o que ele tem é ciúmes e que não suporta que lhe lembrem que o seu ex-namorado é mais rico do que ele e mais bonito também. E era bem mais atencioso!...
Em seguida levante-se irritada, vá buscar a sobremesa e atire-a com força para cima da mesa. Diga-lhe para ele comer se quiser que você entretanto perdeu o apetite.
A esta altura ele levantar-se-á e ambos iniciarão uma discussão feia e acesa. Atire- lhe à cara todas as acusações que guardou durante a sua vida de casada. Assegure-se que lhe toca naqueles pontos sensíveis: ele jamais a perdoará. Por último peça o divórcio.
Se ele aceitar de bom grado e sair porta fora irado, batendo com a porta, abra aquela garrafa de champanhe que tinha escondida no congelador e celebre a sua vitória. Parabéns! Você ganhou!
Se ele amuar apenas ou regressar horas mais tarde disposto a fazer as pazes, diga-lhe que está com dores de cabeça ou com o período. Vai ver como ele sai novamente disparado.
Se nada disto resultar, olhe arranje um amante. Essa receita nunca falha. E... Bom Apetite.