sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fernando Namora

Fernando Namora em Versão Inglesa


Depois de muito procurar, não encontrei traduções inglesas dos poemas de Fernando Namora. Provavelmente as haverá: somente eu não as achei. Então, decidi traduzir, livremente, alguns poemas do seu livro Mar de Sargaços. Espero que gostem.
Poema para Iludir a Vida
Tudo na vida está em esquecer o dia que
passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa
triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.

O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele
há-de sulcar
estranhas gentes que o esperam em
estranhos portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que
não é hoje o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.


Poem to Deceive Life

Everything in life consists of forgetting
the present day.
It doesn’t matter that today means
something sad

a cedar, sand, roots,
or angel’s wing
laid over a swamp.


The ship that crossed the harbour
no longer remembers the harbour
You look at it in the unknown waters yet
to sail

unknown people that wait for it in strange
ports.

Today a river flows in your eyes
And from the eyes you pull sea-weeds and

bats out.
Oh, but your victory consists of knowing
that today isn’t the end
and that there are certainties , solid and
beautiful
that not even blind eyes
can deny.
Today is tomorrow.

----------------------------------------------------//---------------------------------------
Coisas, Pequenas Coisas

Fazer das coisas fracas um poema.


Uma árvore está quieta,

murcha, desprezada.

Mas se o poeta a levanta pelos cabelos

e lhe sopra os dedos,

ela volta a empertigar-se, renovada.

E tu, que não sabias o segredo,

perdes a vaidade.

Fora de ti há o mundo

e nele há tudo

que em ti não cabe.


Homem, até o barro tem poesia!

Olha as coisas com humildade.


Things, Little things


From simple things to make a poem.






A tree stands still


fading, despised.


But if the poet raises her from the hair


and blows through her fingers


she straightens again, renewed.


And you, unfamiliar with her secret,


Lose vanity.


Outside yourself there’s the world


and in it there’s everything


that you cannot contain






Man, even the clay holds poetry!


Look at things with humility.



----------------------------------------------------//---------------------------------------
Todos os Caminhos me Servem


Todos os caminhos me servem.

Em todos serei o ébrio

cabeceando nas esquinas.

Uma rua deserta e o hálito

das pessoas que se escondem,

uma rua deserta e um rafeiro

por companheiro.



Ó mar que me sacode os cabelos

que mulher alguma beijou,

lágrimas que os meus olhos vertem

no suor dos lagares,

que uma onda vos misture

e vos leve a morrer

numa praia ignorada.



Every road fits me



Every road fits me.


In everyone I’ll be the ebrious


stumbbling across the alleys.


A desert street and the breath


of hiding people,


a desert street and a mutt


as a companion.






Oh sea that waves my hair


that no woman ever kissed


tears that my eyes shed


in the sweat of wine-press,


may a wave blend thee


and carry you both to die


on an ignored beach.



Ana Paula Mabrouk

8th April 2010

Sem comentários:

Enviar um comentário