Caros amigos e leitores,
podem ler uma resenha do meu livro Alfabeto no feminino no site O Segredo dos livros. Para isso basta consultar a página 3: é só seguir o link - http://www.segredodoslivros.com/sugestoes-de-leitura/13.html
Este blogue pretende dar a conhecer a actividade literária da escritora Ana Paula Mabrouk e conversar sobre literatura
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Convenção Nacional de Bookcrossing
Teve lugar em Albergaria-a-Velha, no dia 8 de Maio, a II Convenção Nacional de Bookcrossing.
Inscrevi-me e assisti como público, pela primeira vez.
Gostei de conhecer autores como Diane Barroqueiro, Fina D'Armada, Manuel Arouca e Inês Botelho, admirando a sua cultura, a sua pesquisa em termos de preparação da escrita e a sua capacidade de diálogo com uma plateia.
Não gostei da ausência de explicação quanto às mudanças no programa previsto, do último painel de pessoas muito inexperientes e sem capacidade de cativar a audiência, da cerimónia de entrega dos prémios e de alguns "treinadores de bancada". Esta organização ainda tem muito que aprender na organização de convenções nacionais.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
O Futuro
VIII Jogos Florais de Avis (2010)
Modalidade – Prosa (3º prémio)
Conto subordinado ao tema «O Futuro»
O Futuro
Encontrava-me na encruzilhada da vida. Era um entroncamento de caminhos errantes, de auto-estradas vorazes, de trilhos sinuosos e de rotas assinaladas. Já as havia percorrido a todas, em tempos e compassos diferentes. Já fora todos e ninguém.
Chegara a um ponto na vida em que seguir em frente exigia escolhas e estava tão cansada de fazer opções. Apetecia-me, pura e simplesmente, parar. Sentar-me na berma do caminho e ver a vida passar diante dos olhos e dos anos. Estava exausta dos dias e doía-me o cumprimento do sentido do dever. Queria paz de espírito e recolhimento de alma.
Descalcei as botas de caminhante e descansei os pés no orvalho das ervas daninhas. Recostei as costas num carvalho centenário e fechei os olhos. Sorvi, sôfrega, a humidade da manhã vestida de cinza. Fiquei ali, muito quieta, quase sem respirar, como a querer anular-me na paisagem. Desistir: dexistir.
Encaracolei-me na minha concha de anonimato e fiquei. Invernei confortavelmente na friura da Primavera que teimava em não cumprir calendários.
O Futuro? Sei lá eu do devir! Tantos planos gorados, tantos sonhos acordados, tantas vidas emaranhadas… Uma encruzilhada; um nó para desatar; um novelo para fiar. E uma ausência de vontade; uma agonia de ânimo; uma paralisia vertebral. Enquanto a vida me permitir, ficarei sentada na berma da estrada: descalça e desnudada.
A mente vagueou, absorta, alheia à realidade que me gelava os pés e a alma. Só o meu centro de gravidade emanava calor. O meu útero irradiava impulsos e aquecia-me o ser. Havia uma promessa por cumprir. Uma semente ansiosa por germinar. Uma pré-vida que insistia em me lembrar que os rios nem sempre correm para o mar. Há maremotos que desafiam leis e produzem mudanças irreversíveis. Paraísos que, subitamente, desaparecem e outros que, por artes de magia, aparecem do nada. Há mistérios que não foram feitos para serem desvendados. Perde-se o oculto: ganha-se a desilusão. Melhor é não procurar razões. Aceitar o encantamento, sem grandes perguntas. Aquela esperança por cumprir, tão poderosa quanto invisível a olho nu, parecia ter vontade própria superior ao meu desalento. Queria viver.
E eu? Como receber em meus braços um ser pulsante quando todo o meu universo me implorava para sobroçar?
Finquei os pés ma terra húmida mas cálida e senti o apoio da árvore centenária, na solidez das suas raízes profundas. Existem forças telúricas, maiores do que a existência das vidas comezinhas, e que movem planetas e fazem girar universos e sistemas solares. «E contudo: ela move-se!» Alheia aos rancores dos Homens e às razões da Humanidade.
Um pontapé fez-me despertar daquele torpor. Havia uma premência em querer romper barreiras de segurança e líquidos amnióticos tépidos. Havia razões para querer abrir os pulmões na friura da vida cá fora. Gritar e abrir os olhos e cortar cordões umbilicais. Mantendo laços intemporais de intimidade e de partilha genética. E com sorte, e alguma sabedoria, de amor e ternura inenarráveis. Sem necessidade de palavras: apenas a cumplicidade de um olhar. O mesmo sentir, o mesmo pulsar e um fio que nem mesmo as Parcas conseguirão um dia cortar. Vim para ficar – parece sussurrar aquele ser miraculoso.
Então, calcei as botas de caminhante e levantei-me do chão. Mirei a encruzilhada e escolhi um caminho em cujo horizonte um raiozinho de sol parecia brilhar, muito tímido, quase a medo. Havia uma esperança para me guiar, um futuro ainda para cumprir. Havia duas novas vidas para viver.
Modalidade – Prosa (3º prémio)
Conto subordinado ao tema «O Futuro»
O Futuro
Encontrava-me na encruzilhada da vida. Era um entroncamento de caminhos errantes, de auto-estradas vorazes, de trilhos sinuosos e de rotas assinaladas. Já as havia percorrido a todas, em tempos e compassos diferentes. Já fora todos e ninguém.
Chegara a um ponto na vida em que seguir em frente exigia escolhas e estava tão cansada de fazer opções. Apetecia-me, pura e simplesmente, parar. Sentar-me na berma do caminho e ver a vida passar diante dos olhos e dos anos. Estava exausta dos dias e doía-me o cumprimento do sentido do dever. Queria paz de espírito e recolhimento de alma.
Descalcei as botas de caminhante e descansei os pés no orvalho das ervas daninhas. Recostei as costas num carvalho centenário e fechei os olhos. Sorvi, sôfrega, a humidade da manhã vestida de cinza. Fiquei ali, muito quieta, quase sem respirar, como a querer anular-me na paisagem. Desistir: dexistir.
Encaracolei-me na minha concha de anonimato e fiquei. Invernei confortavelmente na friura da Primavera que teimava em não cumprir calendários.
O Futuro? Sei lá eu do devir! Tantos planos gorados, tantos sonhos acordados, tantas vidas emaranhadas… Uma encruzilhada; um nó para desatar; um novelo para fiar. E uma ausência de vontade; uma agonia de ânimo; uma paralisia vertebral. Enquanto a vida me permitir, ficarei sentada na berma da estrada: descalça e desnudada.
A mente vagueou, absorta, alheia à realidade que me gelava os pés e a alma. Só o meu centro de gravidade emanava calor. O meu útero irradiava impulsos e aquecia-me o ser. Havia uma promessa por cumprir. Uma semente ansiosa por germinar. Uma pré-vida que insistia em me lembrar que os rios nem sempre correm para o mar. Há maremotos que desafiam leis e produzem mudanças irreversíveis. Paraísos que, subitamente, desaparecem e outros que, por artes de magia, aparecem do nada. Há mistérios que não foram feitos para serem desvendados. Perde-se o oculto: ganha-se a desilusão. Melhor é não procurar razões. Aceitar o encantamento, sem grandes perguntas. Aquela esperança por cumprir, tão poderosa quanto invisível a olho nu, parecia ter vontade própria superior ao meu desalento. Queria viver.
E eu? Como receber em meus braços um ser pulsante quando todo o meu universo me implorava para sobroçar?
Finquei os pés ma terra húmida mas cálida e senti o apoio da árvore centenária, na solidez das suas raízes profundas. Existem forças telúricas, maiores do que a existência das vidas comezinhas, e que movem planetas e fazem girar universos e sistemas solares. «E contudo: ela move-se!» Alheia aos rancores dos Homens e às razões da Humanidade.
Um pontapé fez-me despertar daquele torpor. Havia uma premência em querer romper barreiras de segurança e líquidos amnióticos tépidos. Havia razões para querer abrir os pulmões na friura da vida cá fora. Gritar e abrir os olhos e cortar cordões umbilicais. Mantendo laços intemporais de intimidade e de partilha genética. E com sorte, e alguma sabedoria, de amor e ternura inenarráveis. Sem necessidade de palavras: apenas a cumplicidade de um olhar. O mesmo sentir, o mesmo pulsar e um fio que nem mesmo as Parcas conseguirão um dia cortar. Vim para ficar – parece sussurrar aquele ser miraculoso.
Então, calcei as botas de caminhante e levantei-me do chão. Mirei a encruzilhada e escolhi um caminho em cujo horizonte um raiozinho de sol parecia brilhar, muito tímido, quase a medo. Havia uma esperança para me guiar, um futuro ainda para cumprir. Havia duas novas vidas para viver.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
3º Lugar na categoria conto - VIII Jogos Florais de Avis (2010)
Caros amigos e leitores,
Depois da recente obtenção do 3º lugar no Brasil com a crónica "Testamento", surge agora o 3º lugar nos Jogos Florais de Avis, com o conto "O Futuro".
http://aca.com.sapo.pt/concursosresult.html
Depois da recente obtenção do 3º lugar no Brasil com a crónica "Testamento", surge agora o 3º lugar nos Jogos Florais de Avis, com o conto "O Futuro".
http://aca.com.sapo.pt/concursosresult.html
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