segunda-feira, 16 de maio de 2011

Menção honrosa nos IX Jogos Florais de Avis

Caros leitores e amigos,

O meu conto A Notícia granjeou uma menção honrosa nos IX Jogos Florais de Avis, subordinados ao tema O Saber.

Aqui fica o texto com votos de boa leitura.

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A Notícia

Foi naquele dia de festa. Uma festa ruidosa, de mil vozes coroada. Rostos novos cruzavam-se no espaço já gasto da sala de cheiros antigos. Havia sangue novo nos amores dos netos e uma felicidade tranquila nos olhos dos avós. Uma mirada benévola de quem já teve amores novos e, ainda que lembrando, já não lhes distingue os traços na névoa da memória.




Circulavam canapés de histórias, regados com aperitivos de alegria. Era um prólogo feliz de uma história familiar cuja tradição se perdia no tempo. Um álbum com folhas de passado, presente e futuro. Uma foto reportagem de gente real com enredos prosaicos mas com personagens vincadas. Que choram, riem e contam histórias de vida.

Em breve entrariam as terrinas da canja com ovos de promessas e as travessas abundantes de saladas mistas de projectos das gerações mais novas. Seguir-se-iam pratos de peixe e pratos de carne para todos os gostos e diferentes paladares. Viriam acompanhados por brancos leves, borbulhando de energia e tintos maduros, de resistência feitos.



A algazarra das vozes elevava-se da mesa dos comensais e lutava-se por uns momentos de atenção familiar. Cada um tinha uma novidade premente, de importância capital nas suas vidas breves. Os mais velhos escutavam em silêncio, habituados à espera. Sábios guardadores das estórias das suas vidas longas. Paciência e intervenções oportunas compensariam o fim da fila. Os primeiros das últimas estórias. O primeiro lugar do saber.

Todos se calariam para dar lugar ao comentário do avô Francisco ou à anedota do avô Joaquim. Marotice nos olhos brilhantes e vagares nos lábios trémulos. Verdadeiros almanaques ambulantes de tradição oral.



Entre dentadas de prazeres terrenos, a satisfação da gula. A curiosidade em relação à Irina, a nova namorada ucraniana do João: Jovem esbelta e de traços clássicos. Muito magrinha, esta estrangeira! – diria a avó Camila. Elas não comem? O que você precisa é de uma bela canja de galinha caseira e um naco de carne assada. Oh, mãe! – diria eu contrariada. Deixe a miúda em paz. A mim, o que mais impressão me faz, é o gedelhudo da Guidinha. Não há tesouras lá no país de onde vem? – indignava-se a avó Carolina, em confidência na cozinha. Desde que não faça rabos-de-cavalo como o anterior… Menos mal! – diria o avô Joaquim, à socapa. São outros tempos – apaziguaria eu, em tom de desculpa. Pois sim, pois sim….- resmungaria, entre dentes, a avó Carolina. Riria o João, a Guidinha responderia com um beijo terno na testa da anciã.

São boas pessoas – remataria eu a conversa e os enfeites da travessa.



E boas pessoas eram. Num Portugal de miscigenação do século XXI, na boa tradição de exploradores da nossa História, aqui estávamos nós a descobrir o mundo e a dar outros novos mundos ao nosso mundo. Entrecruzar de raças, entrelaçar de culturas, estreitar de filosofias de vida.



No meio de tanto saber diferente, só eu tinha um saber que todos desconheciam. Uma notícia que calava no nó da garganta. Uma novidade que não podia ser dada a uma mesa de festa. Uma má nova que arruinaria o almoço dos filhos e dos amores dos filhos, avós e pais de um amor que um dia se foi embora.



Era o pilar de uma família e sentia-me com pés de barro. Estátua cuja inscrição na base estava oculta pela fotografia de família. Linfoma não combina com festa de Verão nem rima com alegria. Não se serve à sobremesa com Charlotte de chocolate ou Bavaroise de ananás. Nem sequer acompanha bem o café que culmina o repasto familiar. Num Domingo de longa pausa gastronómica, o segredo da receita ficara bem guardado. No livro de culinária do coração. Saber nem sempre é sabor.



Guardei pois a notícia para mim e engoli-a com café aromático doce, servido em chávena de porcelana. Com requinte. Até para se calar é preciso ter delicadeza. Olhava-os com os olhos da alma e pensava se tudo isto seria o começo do fim ou um novo começo de um fim adiado. Uma fatalidade ou uma oportunidade, servida de bandeja? Uma noz podre no cesto dos frutos para saborear ao serão, sob o céu estrelado ou uma cereja na última fatia de torta cremosa? Era preciso escolher e ter a sorte do nosso lado na hora decisiva. E rezar para que o mundo conspirasse a nosso favor.



Olhei-os uma vez mais e sorri, pensando que aqueles que amamos não precisam de saber tudo sobre nós, o tempo inteiro. Por vezes o melhor saber é, de facto, não saber nada. Nem suspeitar, nem indiciar, sequer. A melhor opção é sempre viver. O futuro será sempre aquilo que a vida decidir. O presente é nosso para o agarrar com ambas as mãos e erguer uma taça à nossa saúde.



Brindamos? – perguntou o João.

Saúde! – gritaram todos, com os copos de champanhe a transbordar de esperança.



27-02-2011

Ana Paula Mabrouk

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Mini-reportagem fotográfica de Pontevedra

No último fim-de-semana fui convidada para apresentar o livro os pássaros habitam a casa, de Orlando Jorge Figueiredo em Pontevedra.




No mesmo Acto de Presentacíon, esteve também Olinda Beja com o seu novo livro O cruzeiro do sul, cuja apresentação esteve a cargo do editor Fernando Luis Pérez Poza.




 
Abrilhantando a cerimónia, o percussionista Bilal Traoré encantou a assistência com o seu djambé.


Embora tivéssemos só ficado uma noite, consegui ainda visitar o centro histórico do qual deixo algummas fotografias.




 
Casa Brasonada
 
 
 
 
 
 
 
 
Igreja da Peregrina

Plaza San José                                                                








                      Fiel Constraste
Cruzeiro de 1773



Escultura do escritor Valle Inclán
Restaurante na Plaza da Leña

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Lançamento do livro os pássaros habitam a casa em Pontevedra


É com muito prazer que me deslocarei a Pontevedra, na Galiza, para apresentar o livro os pássaros habitam a casa, de Orlando Jorge Figueiredo, a convite da editora El Taller del Poeta.

terça-feira, 19 de abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Dia Mundial da Poesia - Aveiro 2011

Aqui fica uma breve reportagem sobre oDia Mundial da Poesia em Aveiro

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Lábios de mel

Lábios de mel

pousei
suavemente

no néctar
da tua corola

sorvi
sem pressa

alimentei-me
de ti

bati asas
aspergi

tua fragância
morri

no jardim
em meu redor

doce elixir
da juventude

pó amarilis
da tua boca

mel sivestre
no meu sabor

Ana Paula Mabrouk




sábado, 2 de abril de 2011

IX Jogos Florais de Avis


REGULAMENTO

1 - Os IX Jogos Florais de Avis são uma iniciativa da

AMIGOS DO CONCELHO DE AVIZ - ASSOCIAÇÃO

CULTURAL, a que podem concorrer todos os cidadãos

nacionais ou estrangeiros desde que se expressem em

português, abrangidos pelo que se dispõe no presente

regulamento.

2 - Só são admitidos a concurso trabalhos inéditos e nas

seguintes modalidades:

*

* *

POESIA

A - QUADRA POPULAR

Tema: “O SABER”

Em redondilha maior, de rima ABAB, uma quadra em

cada folha.

B - POESIA OBRIGADA A MOTE

Mote

Do que sei nada aprendi

Por ninguém fui ensinado,

Desde a hora em que nasci

Tinha o destino marcado

(António Francisco Bonito - Valongo/Avis)

Nota: não descurando outras formas de glosar o mote,

daremos especial atenção ao tratamento em décimas.

C - POESIA LIVRE

Subordinada ao tema: “O SABER”

Para esta modalidade não se definem quaisquer pressupostos

de forma ou métrica, deixando aos concorrentes

toda a liberdade de critérios, desde que se observe o tema

proposto. Cada trabalho não deverá ultrapassar duas páginas

A4.

*

* *

PROSA

CONTO subordinado ao tema: “O SABER”

(Máximo de 3 páginas, escritas em tamanho 12, a espaço

e meio de entrelinhamento).

*

* *

3 - De cada trabalho serão enviados três exemplares, dactilografados

(à máquina ou em computador) em papel

formato A4, de um só lado com caracteres de tamanho

12, sendo que apenas no conto o espaço entre linhas deverá

ser de espaço e meio. Os trabalhos não poderão ser

adornados com moldura ou qualquer outro adorno.

4 - Todos os trabalhos deverão trazer no canto superior

direito da 1ª página a modalidade a que concorrem,

terão que ser subscritos por um pseudónimo, devendo

os respectivos autores, enviar anexo a cada trabalho, um

envelope fechado contendo, no exterior, a indicação da

modalidade e do pseudónimo, e, no interior, a identificação

completa: nome, morada, número de telefone e

e-mail, se possuir.

5 - Cada concorrente poderá apresentar dois trabalhos por

modalidade, com excepção da QUADRA onde poderão

ser apresentados três trabalhos a concurso, pelo que cada

um será subscrito com pseudónimo diferente. Serão desclassificados

os trabalhos que não sejam inéditos, isto é,

que já tenham sido apresentados noutros concursos.

6 - O prazo de remessa dos originais (data de carimbo


dos correios) termina em 08 de ABRIL de 2011 e deverão


ser enviados, para:


IX Jogos Florais de AVIS


Amigos do Concelho de Aviz - Associação Cultural


Praça Serpa Pinto, Nº11


7480 - 122 AVIS


7 - O não cumprimento do estipulado no presente regulamento,

anula a apreciação dos trabalhos pelo júri, de

cujas decisões não cabe recurso.

8 - As classificações serão tornadas públicas em 2 de


Maio de 2011, sendo os concorrentes avisados por escrito.


9 - Haverá três prémios por modalidade, bem como as


menções honrosas que o júri entender por bem conceder.

Poderá, no entanto, deliberar a não atribuição de qualquer

prémio, numa ou mais modalidades, se considerar que a

qualidade dos trabalhos apresentados não é consentânea

com a projecção que se pretende para esta iniciativa.

10 - A entrega de prémios aos galardoados terá lugar no


dia 21 de Maio de 2011, em Avis, no Auditório Municipal


Ary dos Santos, pelas 14H30’.


11 - Estes Jogos Florais ficam interditos aos elementos

do Júri e demais pessoas envolvidas na organização dos

mesmos.

12 - Ao Júri cabe a resolução de qualquer ocorrência que

não seja abrangida pelo presente regulamento.

Nota: regulamento aprovado em reunião de Direcção da

ACA-AC em 23 de Dezembro de 2010.

Com o apoio de:

Câmara Municipal de Avis

Junta de Freguesia de Avis